segunda-feira, 10 de julho de 2017

Real motivo

Existe uma cena no filme "Uma Linda Mulher" que ressoa comigo perfeitamente. Infelizmente não é a parte em que ela desfila por Beverly Hills cheia de sacolas de roupas caríssimas como se fosse a pessoa mais realizada do mundo. Não, a cena que reverbera aqui dentro é um pouco mais centrada, um pouco mais pessoal.

Richard Gere e Julia Roberts estão deitados na cama, acredito depois de finalmente aceitarem que estão apaixonados um pelo outro e Gere pergunta à Roberts sobre como ela foi parar na vida que ela leva... Conversa vai, conversa vem, numa tentativa de mostrar à Vivian todo seu potencial, ele fala algo do gênero como que ela poderia ser o que ela quisesse na vida, ao que ela responde: "The bad stuff is easier to believe. You ever notice that?"

E aí estou eu. 

É triste como na minha vida, é sempre muito mais fácil acreditar no negativo do que no positivo. Muito mais fácil acreditar que a crítica foi genuína e que o elogio foi só uma tentativa de aplacar uma possível tristeza. Mais natural acreditar que eu não sou capaz ou boa o suficiente do que aquele belo clichê "você pode ser tudo o que quiser". 

Anos de terapia ajudaram, mas como fica óbvio neste texto, (ainda) não resolveram o problema. Tento parar para achar o motivo e tirando as questões de "daddy issues" presentes em tantas pessoas, outras breve passagens aparecem em minha mente: bullying na escola; uma certa vez enquanto criança que subi no palco para contar uma piada em um hotel fazenda, morrendo de vergonha e quando terminei, todos olhavam para a minha cara e ninguém riu; ter sido comparada pelo meu namorado da época a uma menina com uma amiga minha com quem ele tinha ficado e ouvir dele que eu deveria ser um pouco mais como ela... tantas coisinhas pequenas, mas que ficam na cabeça e acho que acabam por achar um modo de se embrenhar na minha estrutura íntima.

Por que é tão fácil se questionar assim? Como faz para ser uma pessoa cheia de si? Será que é por isso que eu me incomodo tanto com pessoas arrogantes e egocêntricas? Porque eu invejo a autoestima delas? Devo admitir que às vezes preferiria ser prepotente e pedante do que constantemente auto questionante. Essa segurança em si deve ser libertadora. Mas ao mesmo tempo, como alguém pode se julgar melhor do que outro? Mas de novo, se um não pode se julgar melhor do que outro, por que eu posso me julgar menos do que outro? Ah, as indagações do ser que não fazem lógica nenhuma...

Ultimamente é moda listas de comportamentos dos quais se deve abrir mão para ter uma vida melhor. Na lista de ontem, um dos tópicos dizia que devemos parar de nos comparar com todos a nossa volta, incluindo pessoas que seguimos no Instagram. Vamos combinar que o Instagram é o menor dos nossos problemas? Muito mais fácil deixar de se comparar com Puglieses da vida do que com as pessoas que estão próxima ao nosso redor.

Como parar de nos comparar com o próximo se foi isso que aprendemos durante toda a nossa vida? Pelo menos na maior parte do tempo... Temos que tirar as melhores notas, temos que passar no vestibular para as melhores faculdades, ter o melhor estágio, o melhor emprego, o melhor salário, viajar para os lugares mais interessantes, ser o mais politizado, o mais cult, o mais zen, o mais "iluminado"... A vida cotidiana é uma chuva de "seja o mais" e de repente esperam que consigamos desligar o interruptor e parar de nos comparar ao coleguinha ali do lado e ser mais você mesmo?

Ser você mesmo hoje em dia é obra de arte rara. Saber quem você realmente é, é tarefa hercúlea! Afinal de contas, o que você faz hoje é o que você realmente ama ou é o que escolheu fazer quando tinha 17 anos e mal sabia juntar lé com cré? Vamos mais a fundo e parar para refletir se mesmo hoje, com 30 e poucos, você já sabe juntar lé com cré ou ainda é levado pela corrente que vai passando?

Meu lé e cré ainda estão bastante separados um do outro. Aos 32 anos quando penso no que eu quero ser quando crescer, tenho um branco. Um branco logo seguido de uma auto cobrança que me alerta que o "quando crescer" já chegou e que a sociedade espera que eu já tenha todo um mapeamento da minha vida. Que não só a sociedade, mas que eu mesma espero isso de mim. E faz como quando percebemos que ainda não temos esse mapa desenhado? Que ainda não tenho o mapa desenhado? Faz como para desligar a crítica e não se achar uma criança perdida? Para não se comparar com aquele amigo ou amiga que já está lá na frente da carreira, dizendo para tudo e todos que nunca foi tão feliz na vida?

É, meus amores... Faz como para traduzir aquele sentimento quietinho e encolhido ali dentro em palavras e ações e descobrir o real motivo de ser eu e estar aqui? 


terça-feira, 13 de junho de 2017

Andar com fé eu vou, que a fé não costuma "faiá"

Outro dia estava assistindo 90 Dias para Casar, um daqueles programas que são um completo guilty pleasure, mas que por me identificar com o tema, vejo quando está passando. Para quem não está familiarizado com essa obra prima da televisão americana, trata de uma série em que cidadãos americanos recebem seus noivos/as nos EUA, com o visto K1 para casamento e têm 90 dias para casar. A série mostra todo o processo dos casais e o dia a dia deles...

Pois bem, no episódio em questão, um dos noivos vindo da Tunísia para Oklahoma, decidiu que enquanto a noiva trabalhava, daria uma volta pelo bairro, para conhecer um pouco mais a cidade e a vizinhança. E lá foi ele, andando por aí, até que encontrou um grupo de caras jogando futebol americano, se aproximou e ficou assistindo. Uns 2 minutos depois, os caras pararam o jogo e o convidaram para participar. Depois do jogo, ainda foram tomar uns chopps e jogar uma sinuca em um bar ali perto.

Enquanto assistia ao episódio, muitas coisas passaram na minha cabeça, mas a principal foi: por que cargas d´água eu não tenho coragem de fazer a mesma coisa? Por que eu simplesmente não saio de casa e saio andando por aí e conheço pessoas novas?

A primeira resposta que me veio à cabeça foi "Pq você é introvertida.", o que sinceramente, me parece uma razão bastante razoável. Mas ao mesmo tempo, é razão suficiente para eu ficar em casa, sem me dar a chance de conhecer pessoas e conhecer melhor a cidade em que vivo? Razão para ficar aqui em casa, esperando o marido voltar para me apresentar a cidade que agora também é minha?

Vou ser muito sincera e admitir que para mim, sair por aí não é tarefa fácil. Pegar o carro decidir ir até algum lugar e andar por aí não é nem um pouco natural. Puxar assunto com alguém que eu não conheço então, tarefa praticamente impossível, principalmente se não antecedida de algumas doses alcoólicas. Não consigo ser aquela pessoa que puxa assunto com a pessoa sentada na mesa ao lado do café ou na fila do supermercado, não está na minha natureza e quando eu tento, meu rosto ferve e eu desisto antes mesmo de falar a primeira palavra.

Hoje porém, resolvi quebrar a primeira barreira. Resolvi que seria o dia de pegar o carro, ir até o centro histórico e dar umas voltas por lá. Sem sair puxando papo com as pessoas, mas pelo menos conhecer um pouco mais de como as coisas funcionam por aqui e começar a fazer a minha lista de restaurantes e lojas a conhecer com o tempo.

Lá fui eu, sabia de uma "padaria" que prometia delícias e decidi iniciar meu turismo por ali. Estacionei o carro, atravessei a rua e entrei na loja. Comecei meu dia com um brioche de queijo e ovos e um pão de chocolate, acompanhados de Coca Zero. Tudo muito bem, tudo muito bom. Primeiro lugar para a lista para voltar, trazendo o marido assim que ele voltar da Korea (minha vez de apresentar a cidade).

Agora que estava com a barriga devidamente cheia, era hora de sair por aí, andando e vendo no que daria. Foi só colocar os pés fora da loja que as borboletas no estômago apareceram. Isso realmente não é uma coisa confortável para mim... Força, foco e fé, vambora. Continuei andando, reconhecendo meus arredores, mas a sensação de estranheza não passava, ainda estava ali, me fazendo companhia.

A cada grupo de pessoas que passava e me olhava, eu questionava se eu estava estranha andando por ali sozinha, se a minha tattoo estava chamando muita atenção, se meu corte de cabelo tava ruim, se a minha roupa estava feia, se era pura xenofobia mesmo... Tentei mandar todas as dúvidas embora e focar na casa linda à minha direita. Até porque, insegurança e vergonha têm limites e chega uma hora que precisamos encarar algumas coisas na vida.

Com isso em mente, respirei fundo, segui em frente e continuei meu passeio. Conheci um pouco mais da minha cidade, tirei algumas fotos, fiz alguns videos e até encontrei alguns restaurantes e cafés para colocar na minha "to go list".

Não, não encontrei nenhum grupo jogando futebol americano ou fazendo compras que miraculosamente se tornaram meus novos amigos e companheiros de aventuras, mas dei o primeiro passo para curar o medo de botar a cara na rua e desbravar o mundo. E enquanto o encontro não acontece, me convenço que não só a minha timidez é a culpada, mas que câmeras e o glamour de um show de televisão também sempre ajudam.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Entre dúvidas e saltos

1 mês. 31 dias. 744 horas. 44640 minutos.

Eu não vou tentar ser politicamente correta ou hipócrita e dizer que nunca tive nenhuma dúvida. Tive e não foram poucas. Era muita mudança, tudo muito rápido, será que é isso mesmo que eu quero para minha vida?

Abrir mão da minha casa, dos meus amigos, dos meus "nem tão amigos assim", dos meus jogos de RPG, dos meus gatos (mesmo que temporariamente), da minha cidade, do meu país e principalmente da minha família, não é pouca coisa. Não é pouca coisa, não, é coisa para cacete!

"Ah, Taíssa, mas as dúvidas passaram rápido, né?" Não. De jeito nenhum. Acredito que na vida, sempre que você vai tomar um passo grande e importante na sua vida - e você realmente se importa com esse passo - as dúvidas aparecem. Afinal, você quer que tudo dê certo, que seja a decisão certa, não quer que logo depois você perceba que não deveria ter feito isso, certo? Então, ao meu ver, nada mais justo que você pense, repense, tenha dúvidas, borboletas e elefantes no estômago.

Então não, as dúvidas não passaram rápido. As borboletas ainda estavam bastante vivas ali, alguns minutos antes de tudo mudar de vez.

Por favor, não me entendam mal, nunca tive dúvidas sobre a vontade da mudança, sobre o que meu coração dizia ou sobre o que eu sentia! Não! Essas coisas sempre estiveram muito certas para mim... as dúvidas eram sobre o futuro, sobre como seria tudo depois da mudança. Dúvidas que se mesclavam com medo e deixavam tudo assim, meio que à beira de um ataque cardíaco.

Mas o que é a vida senão uma grande aventura? E que graça tem viver sem sair da zona de conforto, sem apostar nos sentimentos, no joi de vivre? Sem acreditar que do jeito que está, está bom, mas tendo coragem de saltar, tudo pode ficar muito melhor?

Há 2.678.400 segundos, eu decidi dar esse salto. Eu decidi dizer "Sim" ao homem que eu amo, ao meu parceiro de vida, ao meu melhor amigo, ao meu companheiro, ao homem que está disposto a dirigir 12 horas na noite anterior do casamento para buscar meus sapatos, jóias e véu, que eu esqueci em casa (em outro estado).

E que salto! Foi a melhor escolha que eu poderia fazer, a melhor decisão que poderia ter tomado. Um salto em queda livre, para um futuro incerto, mas desejado.

...e claro, ainda com dúvidas; sobre o que fazer para guardar grana, que tipo de leite comprar no supermercado, o que vamos assistir juntos na televisão e a que horas devemos ir para cama. Dúvidas de como será o dia de amanhã, o próximo mês, os próximos 20 anos e quais serão os próximos saltos.

A grande diferença agora, é que o salto será nosso, juntos, e assim tudo fica mais fácil e o medo fica ali, deixado de lado e escondido no 5º plano.

terça-feira, 6 de junho de 2017

O mistério das noites mal dormidas

Se há algo nesse mundo que eu gosto de fazer, é dormir. Posso dormir por 12 horas facilmente e ainda assim, sair da cama quase sempre é um exercício hercúleo.

Com essa pequena confissão em mente, há aproximadamente três dias, uma imensa frustração tomou conta de mim, quando de repente, minhas noites de sono começaram a ser interrompidas por momentos em que acordava sem maiores motivos, no máximo uma leve vontade de ir ao banheiro fazer aquele xixi inconveniente...

Como essa situação não poderia continuar, uma vez que minhas olheiras estavam se tornando cada vez mais anunciadas e meu humor cada vez menos agradável e doce, achei sábio repassar os dias em minha cabeça para descobrir o motivo.

Lá vamos nós:

Sexta-feira: depois de resolver alguns problemas burocráticos em Atlanta, resolvi aproveitar um pouco a cidade e me jogar na jaca experimentar o tão aclamado Shake Shack. Caros, não preciso dizer que de light não há nada no cardápio, né? Assim sendo, me deleitei num doublecheese com bacon, batata frita, coca zero e um milkshake de brownie de sobremesa. Como não poderia ser diferente, saí de lá me sentindo inchada, pesada e com a consciência provavelmente pesando só um pouquinho mais do que eu.

Ok, possível motivo nº 1 - Shake Shack

Continuamos rodando a cidade, fiz umas comprinhas de roupa (talvez não o melhor momento, já que parecia estar no oitavo mês de gestação) e partimos para a estrada de volta a Bluffton. Na última parte do caminho de volta, o maridão resolveu parar no Chick-fil-A.
Ele estava dirigindo há umas 5 horas, então quem seria eu para dizer não?! Paramos e saí de lá com mais umas batatas fritas e um sorvete de baunilha com calda de chocolate na conta.

Possível motivo nº 2 - Chick-fil-A

Chegamos em casa por volta das 22h, cansados, me sentindo irmã do Jabba e só queria me jogar no sofá e ver televisão... Depois de alguns neurônios queimados, relaxada, hora de ir para a cama. Resolvi abandonar o pijama do Batman e colocar algo um pouco mais bonitinho, alguns até diriam sexy, para servir como antídoto à pseudo gravidez de 13 meses. Deitei exausta, liguei o ventilador de teto e comecei a sentir um certo friozinho... combo ar condicionado e ventilador pode resultar em frio repentino durante a noite. Mas a preguiça foi maior e resolvi dormir com frio de qualquer jeito.

Possível motivo nº 3 - Frio

Sábado: levantei da cama por volta do meio dia, visto que tinha acordado umas 3 ou 4 vezes durante a noite... e vida que segue.

E não seguiu muito agradável, porque fui apressada pelo marido a me arrumar e sair para tirar foto de passaporte para mais um processo burocrático de pós-casamento. (É meus queridos, pensei que fosse me livrar da burocracia, mas estava redondamente enganada.) E vou dizer, sair de casa, recém acordada, com olheira mega, cabelo nojento, humor mediano, para tirar foto de passaporte, é pedir para se irritar. Porque se essas fotos já são horríveis por natureza, quando você aparece que nem um cão chupando manga, o resultado só tende a piorar...

Chegamos ao local 1, o carinha que tira foto estava doente. Entramos no carro e partimos para o local 2. Chegando lá, fila grande, ninguém para atender, humor piorando, resolvemos desistir. E foi aí que eu me frustrei mais ainda, afinal de contas, toda a correria matinal foi em vão. Resolvi focar no positivo (como Poliana zen que sou), pelo menos ninguém teria fotos minhas daquele jeito!

Voltamos para casa, tomei as devidas providências para me sentir e parecer um ser humano e saímos novamente, dessa vez para tentar descobrir um restaurante que sempre vemos quando vamos para a ilha e que me pareceu ter uma vista maravilhosa. Acho que tinha lido em algum lugar que serviam ostras e vieiras lá... tudo prometia uma melhora de humor.

Resultado, o restaurante não era restaurante coisa nenhuma, era estação de barca para uma ilha próxima. Não me perguntem da onde tirei até o cardápio do lugar, mas eu juro que sabia! Com a exploração falida, paramos em um restaurante vietnamita. De entrada, camarões fritos; prato principal, macarrão de ovos com carne. Não, nada light novamente.

Possível motivo º 4 - restaurante vietnamita (muito bom, mas que esqueci o nome... tem Saigon, mas sei lá qual o resto)

Resto da tarde fazendo compras para a casa e coisas cotidianas, nada muito cheio de emoção e passível de causar problemas no sono. Meu humor estava razoavelmente melhor, comida gorda é mágica.

Chegamos em casa tarde, cansados, li um pouco, vi um pouco de televisão e só começamos a cozinhar lá por volta das 21h. O jantar foi saudável, nada gordelícia, ajudou a consciência a ficar mais leve... Mas terminamos de comer tarde e já estávamos cansados. Fui para cama de barriga cheia, fiquei mexendo no celular até criar vergonha na cara e tentar dormir.

Possíveis motivos nº 5 e 6 - dormir de barriga cheia e ficar no cel logo antes de dormir

Domingo: acordei razoavelmente cedo (umas 10h50), tomei meu shot de limão diário e fui à igreja. Sim, isso mesmo, você leu certo, igreja. Depois de um sermão interessante, mas não um dos melhores (a crítica dos sermões), saímos e fui levada de surpresa para almoçar.

Uma coisa boa de ser nova em uma cidade é que quase todos os lugares que você vai são novidades. Conhecer restaurantes novos é sempre gostoso; tinha esquecido um pouco como é isso. Fomos em um café, com intuito de comer algo saudável, mas a gula falou mais alto e acabei pedindo um sanduíche de peru com bacon e mais algo entupidor de artérias, acompanhado de batatas.

Possível motivo nº 7 - Walnuts Cafe 

Voltamos para casa, me alojei no sofá (juro que pensei em malhar, mas não deu) com meu kindle em mãos e li sobre a maravilhosa dieta Bullet Proof, que em breve será minha bíblia alimentar, mas só quando acabar... até lá, eu me permito entupir artérias de vez em quando.

O sol ainda estava alto por volta as 18h, resolvemos ir dar um pulinho na piscina. Umas 2 horinhas de relaxamento à beira da água, ouvindo música e batendo papo não fariam e não fizeram mal a ninguém.

De volta para casa, um belo banho, resolvi mandar um email para um centro humanitário que cuida de animais aqui perto, me voluntariando para trabalhar lá. Enquanto não tenho autorização do governo para arrumar um emprego, preciso ocupar meu tempo com algo útil, se continuar assistindo E! vou ficar maluca.

Resolvemos fazer omeletes para o jantar. Algo mais saudável, mais leve e certamente mais barato.

Com o jantar terminado, subi, coloquei spray de Lavanda nos lençóis da cama e me juntei ao maridão no escritório; enquanto ele trabalhava, eu lia. Assim fomos até mais ou menos 1 da matina, quando resolvi que já estava na hora de ir para cama, com dedos cruzados que seria uma noite mais tranquila.

Liguei o difusor com óleo natural que prometia uma noite de sono exemplar, desliguei o ventilador de teto para não sentir frio e me fiz confortável na cama, esperando por Morfeu, afinal de contas, o dia não havia sido tão pesado assim e não deveria ter motivos para não conseguir dormir direito.

1 hora se passou, 1 hora e meia se passaram e por mais que tentasse dormir, nada. Até que finalmente caí no sono, para voltar a acordar umas 4h30 da manhã.

Sentei na cama prestes a desistir e aceitar meu triste destino, de nunca mais ter uma noite agradável de sono relaxante, até que olhei para baixo e o vi. Ali, durante todo esse tempo, mais à mostra impossível, rindo de mim a cada minuto de noite mal dormida.

Levantei decidida a resolver o problema, tirei o baby doll sexy, abri a gaveta, peguei uma camisetona velha batida e me vesti. Voltei para cama e tive um sono de dar inveja à Bela Adormecida, até hoje às 10h, quando acordei com o melhor humor que podia imaginar.

Moral da história, quem nasceu para camisetão surrado nunca será Victoria's Secret. 👍

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A outra pequena morte

Há um tempo atrás, li um texto de um cara que tinha se mudado para fora do Brasil e ele descrevia o processo e os sentimentos quase como uma pequena morte... Na época, eu achei que o cara era extremamente exagerado e um tanto dramático...

Hoje, eu ainda o acho um pouco exagerado, mas digo que entendo da onde ele partiu. Não me entendam mal, sair do país e ter a chance de começar de novo, um novo emprego, novos hábitos, novo tudo, é muito bom! Mas ao mesmo tempo vem com uma sensação de que luto e morte.

É quase nostálgico ver as pessoas com quem você convivia, continuarem a vida sem você ali, como se não houvesse tanta diferença. Os amigos continuam marcando as mesmas saídas e festas, continuam se encontrando e indo nos mesmos lugares que você costumava ir com eles... Para eles, nada muda. Para você, isso é impossível.

Até mesmo os amigos mais próximos, com quem você costumava conversar frequentemente, a quem você jurou que a distância não ia afetar e que as conversas continuariam no mesmo volume, ilusão. Não que a amizade tenha diminuído, ou que a pessoa não faça falta (muito pelo contrário), mas as duas vidas mudaram e o tempo que antes era usado no bate papo, para o que ficou hoje é usado com coisas cotidianas ou amigos fisicamente próximos com quem se pode encontrar e para o que foi, é usado para adaptações e assentamento...

É... é curioso e às vezes difícil ver sua progressiva morte na vida dos que ficaram e o seu próprio luto em relação às coisas que não podem mais ser vividas. Por mais que uma vida nova e incrível se abra ali na frente, luto é um processo e deve ser vivido em sua integridade.

 Textão, foi mal.