Há um tempo atrás, li um texto de um cara que tinha se mudado para fora do Brasil e ele descrevia o processo e os sentimentos quase como uma pequena morte... Na época, eu achei que o cara era extremamente exagerado e um tanto dramático...
Hoje, eu ainda o acho um pouco exagerado, mas digo que entendo da onde ele partiu. Não me entendam mal, sair do país e ter a chance de começar de novo, um novo emprego, novos hábitos, novo tudo, é muito bom! Mas ao mesmo tempo vem com uma sensação de que luto e morte.
É quase nostálgico ver as pessoas com quem você convivia, continuarem a vida sem você ali, como se não houvesse tanta diferença. Os amigos continuam marcando as mesmas saídas e festas, continuam se encontrando e indo nos mesmos lugares que você costumava ir com eles... Para eles, nada muda. Para você, isso é impossível.
Até mesmo os amigos mais próximos, com quem você costumava conversar frequentemente, a quem você jurou que a distância não ia afetar e que as conversas continuariam no mesmo volume, ilusão. Não que a amizade tenha diminuído, ou que a pessoa não faça falta (muito pelo contrário), mas as duas vidas mudaram e o tempo que antes era usado no bate papo, para o que ficou hoje é usado com coisas cotidianas ou amigos fisicamente próximos com quem se pode encontrar e para o que foi, é usado para adaptações e assentamento...
É... é curioso e às vezes difícil ver sua progressiva morte na vida dos que ficaram e o seu próprio luto em relação às coisas que não podem mais ser vividas. Por mais que uma vida nova e incrível se abra ali na frente, luto é um processo e deve ser vivido em sua integridade.
Textão, foi mal.
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