1 mês. 31 dias. 744 horas. 44640 minutos.
Eu não vou tentar ser politicamente correta ou hipócrita e dizer que nunca tive nenhuma dúvida. Tive e não foram poucas. Era muita mudança, tudo muito rápido, será que é isso mesmo que eu quero para minha vida?
Abrir mão da minha casa, dos meus amigos, dos meus "nem tão amigos assim", dos meus jogos de RPG, dos meus gatos (mesmo que temporariamente), da minha cidade, do meu país e principalmente da minha família, não é pouca coisa. Não é pouca coisa, não, é coisa para cacete!
"Ah, Taíssa, mas as dúvidas passaram rápido, né?" Não. De jeito nenhum. Acredito que na vida, sempre que você vai tomar um passo grande e importante na sua vida - e você realmente se importa com esse passo - as dúvidas aparecem. Afinal, você quer que tudo dê certo, que seja a decisão certa, não quer que logo depois você perceba que não deveria ter feito isso, certo? Então, ao meu ver, nada mais justo que você pense, repense, tenha dúvidas, borboletas e elefantes no estômago.
Então não, as dúvidas não passaram rápido. As borboletas ainda estavam bastante vivas ali, alguns minutos antes de tudo mudar de vez.
Por favor, não me entendam mal, nunca tive dúvidas sobre a vontade da mudança, sobre o que meu coração dizia ou sobre o que eu sentia! Não! Essas coisas sempre estiveram muito certas para mim... as dúvidas eram sobre o futuro, sobre como seria tudo depois da mudança. Dúvidas que se mesclavam com medo e deixavam tudo assim, meio que à beira de um ataque cardíaco.
Mas o que é a vida senão uma grande aventura? E que graça tem viver sem sair da zona de conforto, sem apostar nos sentimentos, no joi de vivre? Sem acreditar que do jeito que está, está bom, mas tendo coragem de saltar, tudo pode ficar muito melhor?
Há 2.678.400 segundos, eu decidi dar esse salto. Eu decidi dizer "Sim" ao homem que eu amo, ao meu parceiro de vida, ao meu melhor amigo, ao meu companheiro, ao homem que está disposto a dirigir 12 horas na noite anterior do casamento para buscar meus sapatos, jóias e véu, que eu esqueci em casa (em outro estado).
E que salto! Foi a melhor escolha que eu poderia fazer, a melhor decisão que poderia ter tomado. Um salto em queda livre, para um futuro incerto, mas desejado.
...e claro, ainda com dúvidas; sobre o que fazer para guardar grana, que tipo de leite comprar no supermercado, o que vamos assistir juntos na televisão e a que horas devemos ir para cama. Dúvidas de como será o dia de amanhã, o próximo mês, os próximos 20 anos e quais serão os próximos saltos.
A grande diferença agora, é que o salto será nosso, juntos, e assim tudo fica mais fácil e o medo fica ali, deixado de lado e escondido no 5º plano.
Um comentário:
Todas as decisões importantes na vida geram dúvidas e medos. Mesmo o mais aventureiro, no fundo sente medo do desconhecido. É humano.
Mas só os corajosos pagam para ver, se arriscam, experimentam.
E só os corajosos têm a chance de encontrar a felicidade fora de sua zona de conforto, onde tudo é morno e seguro.
O morno é confortável, mas por outro lado ele impede que se viva o que é grande. Como o frio. Como o calor. Os extremos são menos seguros, mas mais fortes.
E é essa alegria forte que eu espero que você encontre na vida atual. E a realização, o crescimento e a fortificação que o risco traz, quando é dominado e revertido em algo a seu favor,
Sinto saudades, sinto falta, mas sinto um enorme orgulho da filha que tenho.
Amo você. Muito. Sempre. Onde quer que estejamos.
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